4º Webinário do Ciclo DUI reúne mais de 200 pessoas para debater transformação urbana e resiliência em áreas centrais
Encontro on-line do Programa Capacidades apresentou experiências do Iphan, da Prefeitura de Recife e de Fortaleza e reforçou a importância de integrar políticas públicas no território
Publicado em 05/11/2026 11h33
O Programa Capacidades, da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do Ministério das Cidades (SNDUM/MCID), deu continuidade, nesta quarta-feira (4), ao Ciclo de Capacitação em Desenvolvimento Urbano Integrado (DUI) com a realização do 4º Webinário. Transmitido on-line, com inscrições pela plataforma ReDUS, o encontro reuniu mais de 200 pessoas para dialogar sobre áreas centrais e os caminhos para torná-las mais inclusivas, sustentáveis e resilientes.
Promovida em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e com a participação da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) e do Conselho das Cidades (ConCidades), a edição teve como foco a troca de experiências que aproximam a conservação do patrimônio histórico, a requalificação de áreas centrais e a valorização e retomada dos espaços públicos.
Desenvolvimento urbano integrado no território
Durante o encontro, o arquiteto e urbanista Daniel Montandon, da DTM Urbanismo, apresentou os elementos centrais do desenvolvimento urbano integrado. O primeiro deles é articular, no território, políticas públicas que muitas vezes são implementadas de maneira setorial. O segundo é fortalecer a integração multinível, entre os governos municipal, estadual e federal e, também entre os diferentes atores envolvidos. O terceiro é melhorar a entrega e o resultado ao cidadão, promovendo um melhor desenho urbano.
Patrimônio, cidadania e experiências locais
Representando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Paulo Farsette apresentou o Programa Conviver – Canteiros e Modelo de Conservação. Ele destacou que a premissa do órgão é garantir a permanência da população detentora e a qualidade de vida nos territórios tradicionais, como ferramenta de preservação do patrimônio cultural. Para o Iphan, é preciso olhar para as pessoas que vivem em locais reconhecidos pelo Estado brasileiro como patrimônio histórico, assegurando acesso ao território, engajamento da comunidade e garantia de cidadania aos moradores, sem tratar o aspecto patrimonial de forma isolada.
Da Prefeitura do Recife, Clara Cavalcante apresentou o estudo de caso do ReCentro, projeto de requalificação da área central da capital pernambucana. Ela ressaltou a articulação com atores da sociedade civil e a preocupação com as mudanças climáticas e a adaptação das cidades.
Fechando o ciclo de apresentações, a arquiteta e urbanista Larissa Menescal, do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan), apresentou o tema “Áreas centrais em transformação: experiências e perspectivas para cidades mais inclusivas e resilientes”. Em sua fala, ela chamou atenção para as causas do esvaziamento dos centros urbanos brasileiros, que, segundo a palestrante, não foi um processo espontâneo, mas resultado de escolhas de planejamento.
“O centro foi se esvaziando, como se fosse uma ação voluntária. Mas a perspectiva de desocupação dos centros urbanos, principalmente para o uso de moradia, foi induzida pelo planejamento urbano rodoviarista, que propunha a expansão urbana espraiada, como os planejadores urbanos trabalhavam nas décadas de 70 e 80”, explicou. Ela citou Fortaleza como exemplo: a cidade possui um núcleo central original e sua área de expansão, mas os dados sobre essa expansão não revelam o número de imóveis desocupados nas áreas centrais. Larissa lembrou ainda que a infraestrutura ociosa é um desafio comum às capitais brasileiras.
Para potencializar o uso de nossos centros e regenerá-los, de acordo com Larissa, existem quatro frentes a serem destacadas: (1) reocupar, a partir da recuperação dos imóveis, diversificação dos usos, garantia de moradia acessível e proteção do direito de permanecer; (2) reativar o patrimônio, com a valorização, ativação cultural e fortalecimento da economia do centro; (3) requalificar as ruas, praças e eixos estruturantes com foco na acessibilidade, convivência e vitalidade; e (4) viabilizar e manter a governança, recursos e a continuidade. Nesse sentido, planejar, construir, cuidar e redesenvolver constitui o ciclo de ações aplicáveis e necessárias aos diversos contextos urbanos das cidades brasileiras.
Sobre o Ciclo de Capacitação em DUI
O Ciclo de Capacitação em Desenvolvimento Urbano Integrado reúne webinários voltados ao debate técnico e conceitual sobre políticas urbanas e planejamento territorial. A iniciativa é aberta a gestores públicos, equipes técnicas, profissionais, estudantes e demais interessados na temática urbana, que podem se cadastrar na iniciativa do Programa Capacidades na plataforma ReDUS e acompanhar as próximas atividades pelo Portal Capacidades.
Nosso próximo encontro será no dia 11/11/2026 (quarta-feira)!
Capacidades: conhecer para desenvolver!
Coordenação-Geral de Fortalecimento das Capacidades Governativas - CGFCG/DEDUM/SNDUM
E-mail: capacidades@cidades.gov.br